Prefeito de Toronto vê popularidade subir após escândalo com crack

O prefeito de Toronto, Rob Ford, admitiu nesta terça-feira (5) ter usado crack , alegando que o uso ocorreu durante “bebedeiras” no ano passado. Ford confessou o uso das drogas perante jornalistas após a revelação, feita em maio, de que imagens gravadas em vídeo mostrariam ele se drogando. O vídeo, cujo conteúdo não veio a público, está em posse da polícia canadense. Desde maio, Ford negava ter usado drogas e negava a existência do vídeo, mas confessou nesta terça.

“Sim, eu usei crack. Cometi erros no passado e peço desculpas”, disse. Mas negou que seja viciado em drogas e disse que quer que o vídeo seja exibido, para saber “em que estado eu estava”. Ford também tem rejeitado pressões para renunciar e se mantém no páreo para a reeleição, que será disputada em 2014.

Mas, apesar do escândalo, sua popularidade tem crescido. Na semana passada, após a polícia canadense anunciar ter uma cópia do vídeo do prefeito, seus índices de aprovação subiram cinco pontos percentuais, para 44%.

refeito de Toronto, no Canadá, Rob Ford, pede à imprensa para sair de sua propriedade (31/10)

refeito de Toronto, no Canadá, Rob Ford, pede à imprensa para sair de sua propriedade (31/10)

Atípico

Ame-o ou odeie-o, Ford não é um político típico. Qual a explicação de seu sucesso? Para Marci McDonald, jornalista da revista Toronto Life, o apoio ao prefeito se deve à lealdade da chamada “nação Ford”.

O conceito, relata, vem do mundo esportivo, “da ideia de pessoas trabalhadoras e simples defendendo um cara comum”.

O “cara comum” a que ela se refere voltou à tona quando o prefeito, mesmo sob as alegações de uso de drogas, apareceu em público comemorando o Halloween com seus filhos vestindo uma camiseta de um time de hóquei (esporte muito popular no país).

É o mesmo homem que, tendo abandonado sua promessa de perder peso, torceu seu tornozelo ao descer da balança durante uma pesagem feita diante da imprensa.

No começo do ano, enquanto tentava escapar de repórteres diante da prefeitura, ele bateu sua cara em uma câmera e foi gravado gritando impropérios.

“Assistimos a ele com espanto. Ele é a antítese do político de imagem controlada”, diz McDonald. “Nenhum jornalista perde suas aparições espontâneas.”

Conflitos urbanos

A popularidade de Ford também remete a um conflito entre os subúrbios e o centro de Toronto. Lorne Bozinoff, executivo-chefe da empresa de pesquisa Forum Research, que realizou a pesquisa de opinião da semana passada, explica que a fusão da cidade, no final dos anos 1990, causou tensões.

Ford deu voz aos suburbanos conservadores que, com seus carros, se sentiam excluídos pelas políticas que favoreciam o centro. Sua campanha ao estilo “homem comum”, em defesa da redução dos impostos e de um governo menor”, ganhou apoio maciço nos subúrbios.

“Políticos (que favorecem) o centro pedem que ele renuncie” por causa do escândalo das drogas, diz Bozinoff. “A ‘nação Ford’ alega que isso não é justo, que ele sequer foi formalmente acusado, nem condenado – o que é verdade.”

Ainda assim, parece estranho que um político com seu comportamento desfrute de tamanho apoio em subúrbios conservadores. Para Bozinoff, parte da população está disposta a deixar passar esse jeito “ovelha negra” do prefeito.

“Ele é um político acessível, que atende seu próprio telefone”, opina. “Se você tiver um problema, ele vai até a sua casa lidar com ele. Não tem limusine e dirige seu próprio carro. É uma pessoa familiar.”

Família

Nem todos concordam. Alguns dizem que Ford – filho de um empresário bem-sucedido – criou uma narrativa de “outsider” para se dar bem na política. Outros chamam atenção para seu complicado histórico familiar.

Em 2005, sua irmã Kathy levou um tiro no rosto durante uma briga entre dois homens na casa de seus pais. No ano passado, um desses homens, um traficante condenado, ameaçou assassinar o prefeito.

“Nossa família já passou por tudo”, disse Ford certa vez, em entrevista ao Toronto Star. “De assassinatos a drogas e sucesso nos negócios… Ninguém pode me contar uma história que vá me chocar.”

Fora isso, pouco se sabe de sua vida privada. Sua esposa, Renata, é chamada de “invisivel”, por não aparecer em público. Nos últimos anos, o único sinal público de sua existência são telefonemas ao serviço de emergência, feitos em 2011, para alertar a polícia que Ford, bêbado, planejava viajar com os filhos do casal sem o consentimento dela.

O prefeito agora tem de lidar com o escândalo e corre o risco de perder parte de sua base de apoio tradicional. Na última segunda-feira, ele manteve o tom desafiador, dizendo que não pretendia renunciar. “Vou tocar este navio mesmo que seja sozinho”, disse a uma rádio. Quanto ao vídeo de seu uso de drogas, a decisão de divulgá-lo ou não caberá à Justiça. (BBC)

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