Startup usa balões para filmagem e acesso à internet

São Paulo – Um drone já é uma solução muitíssimo mais barata que um helicóptero tripulado para captar imagens aéreas. Mas a Altave, empresa de São José dos Campos (SP), desenvolveu uma solução ainda mais econômica usando balões. Além de servir para filmagens e monitoramento aéreo, os balões podem prover acesso à internet. Por enquanto, a empresa trabalha com balões cativos (ou aeróstatos), presos ao chão por cabos. Mas ela já faz testes com outros modelos.

Balão no Maracanã: vigilância aérea silenciosa e com custo baixo

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Balão em voo: o aeróstato pode carregar câmeras ou equipamentos de telecomunicações

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Um desses balões cativos foi empregado pela Secretaria de Segurança do Estado do Rio para monitorar o entorno do estádio Maracanã na final da Copa das Confederações deste ano. Lá, o aeróstato foi posicionado a 100 metros do chão com um conjunto de câmeras de segurança a bordo, incluindo uma de visão noturna, que opera com luz infravermelha. As câmeras transmitiram imagens a uma central de controle, de onde a polícia poderia identificar eventuais problemas e agir se fosse necessário.

Esse sistema também foi testado no último Carnaval, no Sambódromo carioca; numa ação policial na favela da Maré, também no Rio de Janeiro; e na final da Taça Libertadores, no Mineirão. “O balão é como uma torre, mas é flexível. Pode ter alturas que vão de 50 a 300 metros e pode ser transportado facilmente. Temos vários, com diâmetros que vão de 1,5 a 5 metros e com diferentes capacidades de carga”, diz Leonardo Nogueira, sócio-diretor da Altave.

Nogueira e seu sócio Bruno Alvena, ambos engenheiros aeronáuticos, tiveram contato com a tecnologia dos balões enquanto estudavam na Europa. “É uma solução de custo muito favorável quando comparada com um helicóptero, especialmente em operações prolongadas”, diz. Em comparação com os drones, os aeróstatos ainda têm a vantagem de já terem seu uso regulamentado pela Aeronáutica, o que facilita os negócios.

Os balões da Altave são construídos com materiais como nylon e fibras de kevlar (as mesmas usadas nos coletes à prova de balas). Podem ser inflados com hélio ou hidrogênio. A capacidade de carga é maior com hidrogênio. Esse gás, como se sabe, é inflamável. Ele traz à memória a tragédia do dirigível Hindenburg, que explodiu nos Estados Unidos em 1937, pondo fim à era dos grandes dirigíveis.

“Há um grupo no Centro Tecnológico da Aeronáutica que trabalha com balões de hidrogênio há muitos anos e nunca teve um acidente. Aprendemos com eles a manusear o gás com segurança”, diz Nogueira. Num teste feito para atender à polícia do Rio de Janeiro, a Altave disparou 39 tiros de fuzil contra um balão cheio de hidrogênio. “O balão foi furado e murchou, é claro. Mas não explodiu, não pegou fogo e não caiu de repente”, diz Nogueira.

Quando usado para acesso à internet, o balão pode carregar um ponto de acesso Wi-Fi. Ou pode funcionar como repetidor, propagando o sinal de rádio a um ponto de acesso em terra. Ele tanto pode se conectar à internet através de um link de rádio como por meio de um cabo de fibra óptica. A energia pode vir de baterias a bordo ou de um cabo que desce até o chão. “Isso depende da duração da operação”, diz Nogueira. A Altave tem demonstrado essa aplicação para as forças armadas e para o ministério das comunicações. “Ainda estamos estudando a solução ideal”, diz.

É uma aplicação de balões que lembra o projeto Loon, do Google, que usa essas aeronaves para levar acesso à internet a regiões remotas. A diferença é que os balões do Google transitam livremente, aproveitando as correntes de ar, a uma altura muito maior que a dos aeróstatos. Nogueira também vislumbra aplicações em filmagens. A Altave já fez testes com a Rede Globo, usando um balão para filmar cenas de uma novela no Projac, o complexo de estúdios da emissora no Rio de Janeiro.

Apesar do grande número de demonstrações, a Altave ainda não fechou nenhum contrato comercial. “Por enquanto, o que temos é um contrato de pesquisa e desenvolvimento com o Instituto Tecnológico da Aeronáutica”, diz Nogueira. Mas ele vê oportunidades à frente. “Estamos trabalhando com vários órgãos de segurança. Queremos fornecer nossos balões para uso na Copa e na Olimpíada”, diz. (Maurício Grego, de Exame)

 

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