Após seis anos, Rodrigo Santoro revisita Xerxes em “300: A Ascensão do Império”

"300: A Ascensão do Império”, que estreia no Brasil no dia 7 de março.

“300: A Ascensão do Império”, que estreia no Brasil no dia 7 de março.

A pegada do filme agora é voltar um pouco no tempo e contar a origem de Xerxes, o poderoso deus-rei vivido pelo brasileiro. É a primeira vez que Santoro revisita um personagem e era preciso o dobro de força de vontade para, além de encarar toda maratona de caracterização, retomar o físico de Xerxes, já que ele estava 12 kg abaixo do peso normal (que é 80 kg, para 1,88 m de altura) por causa das filmagens de “Heleno”. Em uma entrevista no Rio de Janeiro, Santoro confessou ao iG que o trabalho é “duro, cansativo, mas recompensador”.

“É um personagem muito específico e que exige muita coisa, uma preparação física, maquiagem… Por tudo isso, na hora que me falaram do convite, disse ‘Uaaau’ (com cara de cansado), OK, o que vai ser interessante nessa história?’. Aí, conversei com o Zack Snyder (diretor do primeiro filme e roteirista do segundo) e ele falou que queria mostrar agora um pouco do personagem que causou reações enormes. A gente queria explicar quem é o deus-rei, queria tentar humanizar o personagem. Foi isso que eu achei interessante”, pontuou o ator.

Neste segundo filme, Santoro tem mais participação do que no primeiro. A história mostra a origem de Xerxes e exibe o ator brasileiro antes da transformação do personagem em rei, ou seja, sem caracterização nenhuma.

“O ‘300’, sem dúvida, foi um divisor de águas para mim, abriu as oportunidades. Isso ficou muito claro. Eu não esperava, aliás, ninguém que participou do processo esperava que fosse ser o sucesso que foi. E tem aquela coisa: no mercado, o sucesso tem um peso, ele significa uma coisa a mais. O interessante é que durante muitos anos ninguém me ligava ao filme por causa da caracterização. Neste, pela primeira vez, vão ver as duas pessoas e vão juntar uma coisa com a outra.”

Quem chega no elenco para contar essa nova história é Eva Green, no papel da guerreira Artemísia. A personagem é a responsável por convencer Xerxes a se tornar rei e a assumir a luta do pai, morto em batalha. Claro que, debaixo dos panos, Artemísia tem uma luta própria e usa o poder de Xerxes para tentar fazer vingança. “Ela funciona como um espelho. Tem uma espécie de manipulação, mas ele também não é uma vítima, não está ali apenas como um fantoche. Ele sabe exatamente o que está fazendo, mas existe o sentimento da perda do pai, ele quer assumir a missão como filho e se entrega para aquilo”, adianta Santoro.

“Eu acho que a Artemísia é a ativa, mas quem está por trás de toda a história é ele. A partir do momento que vira o deus-rei, ele é o cara. Antes, ele está fragilizado e aceita influência, mas consciente. Pelo menos, eu trabalhei desta forma. Ele não é vítima. Ela joga a semente… Nós sabemos muitos casos de manipulação, as mulheres têm talento, elas sabem lidar com os homens. Mas existe uma argumentação, ele confia nisso. Ele se entrega muito, porque não vê outro caminho.”

Novo 300 terá Rodrigo Santoro com aparência 'normal'.

Novo 300 terá Rodrigo Santoro com aparência ‘normal’.

Quatro horas e meia de maquiagem

Seis anos depois, a equipe de caracterização até que evoluiu, mas Santoro não conseguiu fugir do trabalhoso processo de maquiagem. De seis horas de duração, ele agora passou quatro horas e meia na cadeira. “Minha chegada era sempre na madrugada, por volta das 4h. Não tinha ninguém no estúdio, lá no meio da Bulgária… A gente começava tudo e, quando batia umas 7h, quando todo mundo estava chegando e o dia amanhecendo, eu estava pronto. Filmávamos até o final do dia. Eu dormi muito pouco durante o processo, mas a produção ajudou. Fiz as minhas cenas de uma vez em três semanas. Até porque, depois que a gravação terminava e todo mundo ia embora, eu tinha mais 1h30, 2h para retirar tudo.”

E nada ali era efeito especial. Da barriga de tanquinho ao peito raspado, o brasileiro fez questão de transformar o corpo para Xerxes. “Eu raspei cabeça, braço, peito, perna… E, para a sobrancelha, eles colocavam uma prótese, cobriam com maquiagem e depois desenhavam o formato. No primeiro filme, a gente estava buscando muito, e nesse a gente aprimorou. A base, por exemplos, dos brincos do rosto já vinha com os buraquinhos. Era só encaixar”, contou. “E a barriga era minha. Eu tenho prova, se você quiser. Eu te mostro foto (risos). Eu estava com a porcentagem baixíssima de gordura no corpo, e tem todo um jogo aeróbico, eu ficava uma hora e tanto na esteira…”, conta.

Tecnologia

Outra diferença do primeiro para a sequência é a tecnologia usada nos bastidores. O parceiro de cena do brasileiro não é mais a fita crepe, e sim a bolinha de tênis. “Eu não queria mais falar com a fita crepe. E realmente eu não falei. Falei com a bolinha de tênis, que ficava se movendo na ponta do bastão. Eu me senti o Tom Hanks naquele filme, falando com uma bolinha (risos)”, brinca.

Para abstrair a falta de reação em cena, Santoro compara o grau de trabalho técnico e milimétrico com o teatro. “O palco, a cadeira, o foco de luz e o ator projetando sua história para a plateia. Tem essa essência de você não ter nada e imaginar tudo. O trabalho de concentração é diferente. No primeiro eu fui pego de surpresa, foi uma loucura, mas agora eu já conhecia o processo. Eu encarei de outra forma.”

Agenda lotada

E “300: A Ascensão do Império” deixa margem para um próximo filme? “Deixa um rio inteiro (risos). Mas isso é uma coisa de sequência, de blockbuster. Vamos ver como vai nos cinemas. Na história ainda tem muita coisa… O Xerxes demora um pouquinho para ser derrotado. Por enquanto, eu não sei. Eu não sou contra a ideia, mas com tudo o que descrevi aqui, é um trabalhão. Temos de ver o que é exatamente, quando é, se vou ter saúde para isso, se eu vou contracenar com bolinha de tênis ainda…”, brinca.

Enquanto isso, a agenda do brasileiro, que pinga entre Los Angeles e Rio de Janeiro, está tomada de projetos: “Daqui eu vou filmar ‘Os 33’, sobre os mineiros no Chile. Eu estou com seis filmes para estrear. Vem o ‘300 2’, depois ‘Rio 2’, um filme que eu participei como produtor que é sobre a história do Pelé, aí deve vir ‘Rio Eu Te amo’. ‘Jane Got a Gun’ e ‘Focus’, que eu acabei de filmar agora, passaram para o próximo ano.”

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