Bandidos matam policial de UPP e comemoram no Facebook

Leidson Acácio Alves: vítima dos traficiantes

Leidson Acácio Alves: vítima dos traficantes

Horas depois de o secretário de Segurança do Rio, José Mariano Beltrame, ter negado que haja uma crise nas Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs), mais um policial do programa foi morto por traficantes. No dia em que foram ocupadas a Vila Kennedy e a Metral – favelas da Zona Oeste – para a criação da 38ª UPP, bandidos mataram, com um tiro na cabeça, o aspirante a oficial Leidson Acácio Alves, de 27 anos, subcomandante da unidade da Vila Cruzeiro, no Complexo do Alemão.

Ele foi atingido na Rua 10 e chegou a ser socorrido ao Hospital Getúlio Vargas, mas não resistiu ao ferimento. O crime aconteceu no fim da noite desta quinta-feira, quando traficantes, por volta de 22h30, fizeram quatro ataques simultâneos a PMs em pontos diferentes da região.

Momentos após o ataque que vitimou o policial, um perfil no Facebook comemorou a crueldade. O usuário da rede social que usa o nome de “Timbalzinho da Penha” publicou uma foto do local onde Acácio foi morto, com as manchas de sangue no chão, e escreveu: “Ficou enguiçado em c… azul. É a Penha!”

Acácio formou-se na Academia D. João VI, da Polícia Militar, em 1º de dezembro de 2013, foi atacado com outros sete policiais militares. Depois dos ataques dos criminosos, policiais do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope), do Batalhão de Choque (BPChoque), das UPPs da região e do 16ª BPM (Olaria) fizeram uma operação no Alemão, mas apenas um menor foi apreendido. Esta foi a 11ª morte de um policial de UPP desde 2012.

Beltrame, negou, na manhã de quinta-feira, que o projeto das Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) esteja ameaçado. Durante coletiva de imprensa realizada logo após a ocupação da Vila Kennedy, o secretário tentou minimizar os conflitos em áreas chamadas de “pacificadas” e classificou os ataques de traficantes a policiais como uma forma de “terrorismo contra o Estado”.

“É muito fácil atacar um policial em um beco e fugir. Nós entramos e não vamos sair. Entendemos que essas ações são um verdadeiro terrorismo contra o Estado, contra agentes públicos, contra policiais civis e militares que estão trabalhando para tirar pessoas que estão tiranizadas”, disse. “Falar em ameaça ao projeto é um exagero. Não temos problemas em 38 UPPs. Temos em uma ou duas, por questões topográficas, urbanísticas e com a tirania do tráfico”, argumentou.

Beltrame se referia às UPPs do Alemão e da Rocinha, onde traficantes armados desafiam o Estado. Há uma semana, um PM foi morto quando fazia patrulha na Favela Nova Brasília, no Alemão. O soldado Rodrigo de Souza Paes Leme, de 33 anos, estava com outros onze agentes da UPP, quando foram encurralados na localidade conhecida como Quadra do Escadão. Paes Leme foi atingido por dois tiros no peito, que ultrapassaram o colete à prova de balas. Ele chegou a ser socorrido pelos colegas e levado para a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do Alemão, mas não resistiu.

No dia 25 de dezembro, um carro da UPP da Rocinha foi atacado por traficantes na Rocinha. Um vídeo divulgado terça-feira pelo Jornal Nacional, da Rede Globo, mostra um grupo formado por pelo menos quinze homens armados com paus, pedras e tijolos destruindo o veículo.

Operação em outras favelas – Na manhã de quinta-feira, as forças de segurança pública realizam operações paralelas em 22 favelas dominadas pela mesma facção criminosa que liderava o tráfico de drogas na Vila Kennedy. O objetivo da ação era evitar que traficantes que escaparam da ocupação da Vila Kennedy se escondessem nestes locais. De acor

do com a PM, pelo menos três criminosos foram presos. O traficante e homicida Robson Luís Borges, conhecido como Robinho da Vila Kennedy, foi capturado por policiais da UPP do Complexo do Lins. Ele tinha oito mandados de prisão pendentes por roubo e é acusado de assassinar um policial civil no bairro do Grajaú, em julho de 2012. No Morro do Chapadão, dois homens foram presos em flagrante e um menor, apreendido. Nas favelas Antares e Rola, na Zona Oeste, seis pessoas foram detidas com drogas.

“Nós estamos tirando o território desses traficantes. Antes prendíamos o chefe do tráfico e no dia seguinte já tinha outro no lugar. Agora sem o território eles são obrigados a se deslocar para outros pontos, facilitando o serviço de inteligência da polícia”, concluiu Beltrame. (Leslie Leitão e Pâmela Oliveira, Veja Online com Estadão Conteúdo)

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