Guardiões da Galáxia traz ação e (muito) humor em mais um golaço da Marvel

“Guardiões da Galáxia pode ser o nosso Star Wars.” Era 2006 e Kevin Feige, hoje produtor-supremo da Marvel, mandou essa em um papo informal. Dei de ombros. Afinal, nem os fãs dos super-heróis da editora conhecia a equipe – na época, dois anos antes de uma reformulação nos gibis. Corta para oito anos depois, e Guardiões da Galáxia chega aos cinemas fazendo exatamente o que Feige previa anos atrás: é mesmo o Star Wars da Marvel. Tem anti-heróis bacanas, um vilão ameaçador, mocinhas nada indefesas, batalhas espaciais e a sugestão de que o universo colocado em cena faz parte de uma engrenagem muito maior. O que é óbvio, já que é um filme da Marvel e faz parte de seu universo cinematográfico.

A verdade é que espanta a liberdade que o estúdio deu ao diretor James Gunn para fazer de Guardiões um filme tão anárquico e irreverente. Ao mesmo tempo, a aventura traz sensibilidade e uma certa ternura, ao mesmo tempo que não economiza no espetáculo. Tudo bem que os vilões podiam ser algo além de elementos figurativos para alavancar o roteiro (mesmo probleminha de Thor: O Mundo Sombrio).

Mas Gunnm acertou no alvo de tantas maneiras diferentes que é impossível ser cri cri para apontar uma ou outra aresta a ser aparada. Afinal, Guardiões da Galáxia é parte de um tabuleiro bem maior, mesmo que possa ser encarado como uma aventura contida sem maiores problemas.

“Guardiões da Galáxia pode ser o nosso Star Wars.” Era 2006 e Kevin Feige, hoje produtor-supremo da Marvel, mandou essa em um papo informal. Dei de ombros. Afinal, nem os fãs dos super-heróis da editora conhecia a equipe – na época, dois anos antes de uma reformulação nos gibis.

Corta para oito anos depois, e Guardiões da Galáxia chega aos cinemas fazendo exatamente o que Feige previa anos atrás: é mesmo o Star Wars da Marvel. Tem anti-heróis bacanas, um vilão ameaçador, mocinhas nada indefesas, batalhas espaciais e a sugestão de que o universo colocado em cena faz parte de uma engrenagem muito maior. O que é óbvio, já que é um filme da Marvel e faz parte de seu universo cinematográfico.

A verdade é que espanta a liberdade que o estúdio deu ao diretor James Gunn para fazer de Guardiões um filme tão anárquico e irreverente. Ao mesmo tempo, a aventura traz sensibilidade e uma certa ternura, ao mesmo tempo que não economiza no espetáculo.

Tudo bem que os vilões podiam ser algo além de elementos figurativos para alavancar o roteiro (mesmo probleminha de Thor: O Mundo Sombrio). Mas Gunnm acertou no alvo de tantas maneiras diferentes que é impossível ser cri cri para apontar uma ou outra aresta a ser aparada. Afinal, Guardiões da Galáxia é parte de um tabuleiro bem maior, mesmo que possa ser encarado como uma aventura contida sem maiores problemas.

Claro que no cinema seria impossível empilhar tantos elementos dos quadrinhos, então Gunn, ao lado da roteirista Nicole Perlman, começou a história do zero. Ou melhor, em 1988, quando o adolescente Peter Quill, após a morte de sua mãe, é abduzido por uma nave estelar. Duas décadas depois, Quill (Chris Pratt, seríssimo candidato a astro mais cool do Universo Marvel) é um ladrão espacial, buscando uma esfera escondida num mundo morto. Ele quase é capturado por Korath (Djimon Honsou), mas foge com o prêmio.

Ao tentar vender a peça, descobre que ela é cobiçada pelo temido Ronan (Lee Pace), um genocida espacial que manda a assassina Gamora (Zoe Saldana) recuperá-la. A luta entre Quill e Gamora sofre interferência de Rocket e Groot e todos terminam presos – onde encontram Drax, um massa de músculos em busca de vingança. Uma fuga que periga ser a cena mais divertida e sensacional que a Marvel já cometeu em filme faz do quinteto aliados improváveis. Mas quando o destino do universo está em jogo, a escolha é virar as costas ou se aliar aos mocinhos da Tropa Nova (John C. Reilly e Glenn Close entre eles) e fazer o que é certo.

Guardiões da Galáxia pode ter sido concebido como mais uma peça no expansivo e lucrativo Universo Cinematográfico Marvel, mas é impressionante como James Gunn consegue injetar personalidade ao filme. Seu maior trunfo é o elenco quase perfeito. Além de Chris Pratt, o diretor acertou ao colocar Zoe Saldana – que não é estranha a aventuras cósmicas, já que está tanto em Star Trek quanto em Avatar – como Gamora, e foi feliz em dar a Rocket a voz cheia de ironia e raiva de Bradley Cooper. É impressionante como Vin Diesel empresta ternura ao gigantesco Groot, mesmo com a variação de uma única frase, “Eu sou Groot”.

A grande surpresa, porém, é o lutador Dave Bautista. Em um papel que podia ser só mais um brucutu, ele transmite ódio e perda no olha de Drax, que jurou vingança pela morte de sua mulher e filha. Incapaz de entender metáforas, Drax responde por alguns dos diálogos mais divertidos em um filme coalhado de referências pop (“Tem um lance meio Arca da Aliança, meio Falcão Maltês”, diz Peter Quill sobre a espera que todos cobiçam) e cenas absurdamente fora da caixinha. Não tem como definir de outra forma, por exemplo, a participação de Benicio Del Toro como o Colecionador e seu museu de easter eggs que vai fazer os fãs repetirem várias vezes a dose de Guardiões só para fisgar cada referência.

Existe, dentro e fora da indústria, muita gente esperando o primeiro escorregão da Marvel, esperando que eles cometam um filme verdadeiramente ruim para quebrar a experiência mais ambiciosa que um estúdio já fez no cinema, que é unir em um universo coeso personagens tão distintos quanto um deus nórdico, um supersoldado da Segunda Guerra e, agora, uma trupe de aberrações cósmicas. Mas não foi dessa vez. Guardiões da Galáxia surge como um produto divertido e delicioso, visualmente impressionante e cuidadoso em sua construção de personagens e expansão de seu universo. É um triunfo em estética e conteúdo, e eu desafio qualquer um a sair de uma sessão do filme e não correr atrás de sua trilha sonora pincelada, organicamente, por clássicos pop e rock dos anos 70 e 80. Footloose, você vai descobrir, é uma lição de vida! (Roberto Sadovski, UOL/SP)

 

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