Com elenco internacional, “Trash” mostra fábula e violência nas ruas do Rio

Dirigido pelo britânico Stephen Daldry, filme tem jovens de comunidades cariocas contracenando com Selton Mello, Wagner Moura, Rooney Mara e Martin Sheen

Dirigido pelo britânico Stephen Daldry, filme tem jovens de comunidades cariocas contracenando com Selton Mello, Wagner Moura, Rooney Mara e Martin Sheen

Trash é um thriller contemporâneo que acompanha três meninos, Raphael (Rickson Tevez ), Gardo (Eduardo Luis ) e Rato (Gabriel Weinstein), que vivem num lixão. Uma descoberta inesperada os leva para uma aventura vertiginosa, na qual vão precisar de todas as suas habilidades para lutar contra inimigos poderosos, com o policial Frederico e o político Santos (Stephan Nercessian). Eles só contam com a ajuda do pastor Juilliard (Martin Sheen) e da professora Olivia (Rooney Mara).

Trash é um thriller contemporâneo que acompanha três meninos, Raphael (Rickson Tevez ), Gardo (Eduardo Luis ) e Rato (Gabriel Weinstein), que vivem num lixão. Uma descoberta inesperada os leva para uma aventura vertiginosa, na qual vão precisar de todas as suas habilidades para lutar contra inimigos poderosos, com o policial Frederico e o político Santos (Stephan Nercessian). Eles só contam com a ajuda do pastor Juilliard (Martin Sheen) e da professora Olivia (Rooney Mara).

Conhecido por filmes como “Billy Elliot”, “As Horas” e “O Leitor”, o diretor britânico Stephen Daldry dá um passo diferente na carreira com “Trash – A Esperança Vem do Lixo”, uma coprodução entre Reino Unido e Brasil que estreia nesta quinta-feira (9).

Salvo o fato de a história ser protagonizada por jovens – como “Billy Elliot” e “Tão Forte e Tão Perto”, outro longa de Daldry -, há poucas semelhanças entre os trabalhos anteriores do diretor e o mais recente, rodado no Rio de Janeiro, falado majoritariamente em português, com funk na trilha sonora e “cara” de filme brasileiro.

“Trash” é uma adaptação feita pelo roteirista Richard Curtis (“Quatro Casamentos e Um Funeral” e “Simplesmente Amor”) do romance do britânico Andy Mulligan, originalmente ambientado em um país fictício.

Como possíveis locações para o filme, o autor sugeriu Índia, Filipinas e Brasil, escolhido, segundo a produção, pela estrutura da indústria cinematográfica e a experiência do diretor Fernando Meirelles no trabalho com atores não profissionais, algo que Daldry julgava fundamental para dar autenticidade à história.

Firmou-se, então, a parceria entre a produtora britânica Working Title e a brasileira 02, da qual Meirelles é um dos sócios. Os três protagonistas – Rickson Tevez, Eduardo Luis e Gabriel Weinstein – foram selecionados após testes em comunidades cariocas, e no filme interpretam jovens que moram em trabalham em um lixão e um dia encontram uma carteira.

O esforço da polícia liderada pelo investigador Frederico (Selton Mello) para encontrar a carteira faz os meninos suspeitarem de que ela é mais valiosa do que parece. Ao seguir as pistas deixadas pelo dono do objeto, José Angelo (Wagner Moura), eles descobrem e se envolvem em um escândalo político que coloca suas vidas em risco.

Daldry usa câmera na mão, edição rápida e a desenvoltura dos jovens protagonistas para conseguir a mesma energia das ruas que marcou “Cidade de Deus”. “Trash” também aborda temas como a desigualdade social e a violência – sobretudo policial – no Rio de Janeiro, mas tem menos cenas fortes do que o filme de Meirelles. Em certo sentido, se assemelha mais a “Quem Quer Ser um Milionário”, de Danny Boyle, com a caça ao tesouro (ou a busca pelo segredo da carteira) no lugar do concurso de perguntas na TV.

Em geral, “Trash” funciona melhor como aventura juvenil do que quando se presta a comentários políticos. Parecem forçadas e sem contexto, por exemplo, as referências aos protestos de 2013 e a pincelada sobre desvios de dinheiro em eventos esportivos.

Daldry se esforça para fazer um retrato fiel da realidade brasileira, mas lida com personagens unidimensionais: Moura é o idealista que combate a corrupção; Mello é o policial cruel; Stepan Nercessian tem uma ponta como político sem escrúpulos; e os norte-americanos Martin Sheen e Rooney Mara são estrangeiros compreensivos que ajudam a comunidade pobre. Todos são talentosos, mas já tiveram papéis melhores.

A crítica social perde força, também, por causa do tom excessivamente otimista do filme, que retrata o Brasil como um país que acordou para a mudança e o combate à corrupção. Como a realidade nunca é tão simples, “Trash” acaba ficando só na fábula.

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